Mostrar mensagens com a etiqueta Watercolor. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Watercolor. Mostrar todas as mensagens

sábado, 12 de agosto de 2017

Sem Caneta

O desenho leva-me a pensar de forma mais concisa e esta abre portas para um desenho melhor.

Santa Helena terá aparecido em Santa Cruz, daí ser a sua padroeira, segundo os monges tinha uma expressão triste e amuada, dando assim origem ao nome da Praia da Amoeira, um dos meus spots favoritos.

A Praia da Amoeira tem melhor acesso com a maré vazia, desta vez tinha uma plateia de areia com três metros de altura e o panorama rochoso estava mesmo apetecível, havia algumas pessoas na água mas mergulharam todas quando viram que as podia retratar ;)
 Depois de andar com a minha irmã a verificar que alguns parques de estacionamento estavam cheios, deixamos o carro numa falésia e fizemos uma caminhada sobre os penhascos até à Praia dos Quarenta, queria experimentar uma caneta nova mas não sei o que me aconteceu, só me apetece fazer manchas...
O desenho às vezes parece a maré, esvazia o pensamento assim como o enche, tem momentos de inspiração, de erros, de reflexão, revela medos e surpresas, nem sempre se descobre algo novo, na folha vazia lança-se o anzol... o resto fica na minha história.

Praia do Navio

O Oeste é banhado por muitas praias, na zona de Santa Cruz existem cerca de vinte, com ou sem rochas, pelos acessos mais variados, desertas ou cheias de gente, com mar para todos os gostos menos água quente.

Neste desenho, no aglomerado de chapéus, fica a Praia do Navio, onde um navio descansa enterrado na zona da rebentação, com a maré muito vazia às vezes é possível ver dois vestígios do navio, talvez do casco ou dos mastros.

Nos Verões da minha juventude era fácil ver dois vestígios do navio, um metro de lamina esburacada e enferrujada, e mais adiante, na maré vazia, aparecia também algo semelhante a uma pedra quadrada mas de madeira ou metal, com o passar do tempo ficou mais enterrado e torna-se mais difícil detectar.

Foi o navio norueguês Hay que encalhou aqui a 5 de Fevereiro de 1929, nenhum marinheiro se magoou e a carga, na maior parte, cigarros ingleses e chocolate, foi vendida localmente.
No restaurante da praia pode ser vista uma fotografia do acontecimento, teria sido um óptimo pretexto para desenho.

domingo, 30 de julho de 2017

Aguarelas em Santa Cruz

Santa Cruz é como uma borboleta, de manhã está envolvida numa espessa neblina, por vezes chuvisca, antes do almoço começa a metamorfose e à tarde mostra as suas asas sobre o mar.
Está a decorrer o Encontro Internacional de Aguarela de Santa Cruz com workshops e algumas demonstrações durante a semana até dia 6 de Agosto.
Hoje fui partilhar um Olá com alguns aguarelistas e sketchers presentes no evento e ainda fiquei por lá um pouco a desenhar entre conversa.
Estava muito convidativo, principalmente quando entre os copos da esplanada se começam a montar pequenos estúdios de aguarela :)

segunda-feira, 24 de julho de 2017

ENcosta Rosa

Há alguns anos atrás, nunca me passaria pela cabeça desenhar na encosta de São Vicente a vermelho com tons rosados, mas as experiências levaram-me a pegar de novo na tinta vermelha.
Conheço estas encosta quase como a palma da mão, via do destino voltei passar por estas ruas em trabalho depois de há muitos anos atrás a percorrer regularmente para visitar os meus avós.
O objectivo deste encontro era registar espaços que mais tarde irão ser alvo de requalificação.


Não optei pelos elementos mais óbvios mas por percursos que me dizem algo de outros tempos.


No fim, o cansaço já apertava, durante a semana acabei por ficar engripado e o vento que se fez sentir não ajudou, mas fui ficando e resistindo até ao ultimo dia, a companhia foi ficando cada vez melhor e existem oportunidades que não se podem passar.
As casas vazias também tem histórias, esta não era dos meus principais objectivos, mas estava cheia de pistas interessantes de outros tempos.

ENcosta com António e Susana

Quando consegui ir ter com o António Procópio, ele já estava a devorar escadas... o seu primeiro desenho estava muito bom, mas ao procurar dar sombras, ficou mastigado. Depois de alguma conversa andou às voltas com o grafismo e decidiu fazer outro... mais simples, onde se percebia melhor a distorção e a geometria da escada.Segundo ele tem de ser algo imediato, o primeiro desenho sai-lhe sempre melhor, comigo é contrário, preciso sempre de algum tempo para encontrar o ritmo do processo de desenhar, principalmente depois de uma caminhada com escadas...A Susana veio juntar-se a nós mais tarde, estava a desenhar a senhora da casa no topo das escadas.


A meio da semana encontrei o António a desenhar junto à rua marginal da encosta, cheia de movimento. Pensava eu que já havia algum cansaço mas não, a Susana apareceu e foram os dois explorar a Cruz das Almas enquanto o meu desenho lento me levou a ficar ali mais um pouco de pé, quase na estrada, a desenhar. Quando me juntei ao António, ele já tinha um desenho novo, ainda fomos descobrir pérolas no meio do mato mas a hora de jantar não deu para mais desenhos.

Antes do encontro de sábado ainda me juntei a alguns reforços ansiosos por desenhar a encosta, consegui voltar a ver os sketchers residentes e assegurar o apoio moral.
O António ficou ao pé da taberna e depois infiltrou-se no quintal de um vizinho habilidoso, a Susana estava com a Ana Ramos a cozinhar uma vista da rua, fiquei ali com elas e mais tarde juntou-se a Lurdes, ainda apareceu um gato preto cheio de teias de aranha na testa para ver o que andávamos a fazer mas ninguém o conseguiu desenhar.

À noite ainda tivemos algumas visitas fantásticas, a sabedoria do Pedro Alves e a hiper boa disposição da Rita Catita, a Maria Inês também se juntou, mas da noite, entre histórias, sobraram mais boas memórias do que desenhos. Uma semana fabulosa ;)
Não me canso de agradecer, além das entidades envolvidas, ao André Baptista por toda a dedicação e aos dois grandes sketchers residentes que acabaram por marcar a vida das pessoas da Encosta de São Vicente.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Vimeiro

O regimento dos Oeste Sketchers juntou-se e foi fabuloso, registou o que conseguiu da recriação histórica da Batalha do Vimeiro de 1808, fizeram registos debaixo de fogo cruzado e com grande "instinto de sobrevivência". 
Nesta batalha não fui fardado mas andei a espiar as tropas do inimigo, o primeiro desenho não começou bem mas acabou por mostrar os sketchers e a população à espera do evento com linhas, depois em manchas, as tropas, portugueses de castanho e camponeses de cinza escuro, ingleses de vermelho e franceses de azul.


À tarde havia animação na feira oitocentista e a variedade de mercadores era impressionante. Enquanto alguns ficaram a desenhar pessoas e fardas, ou a degustar a bela filhós, eu resolvi procurar uma zona calma e mais despercebida com vista para a paisagem do campo de batalha, onde o acampamento militar se mostrava deserto.
Acabei o bloco com um desenho panorâmico, vai deixar saudades, o resto foi convívio ;)




segunda-feira, 10 de julho de 2017

Com ou Sem

Às vezes levo o bloco a passear, com uma sombra de objectivo que inclui desenhar.
Se me parece obrigação e tenho companhia que não desenha, acabo por esquecer o bloco, mesmo que as paisagens sejam cativantes. Por vezes prefiro dar toda a minha atenção ao diálogo, aos gestos, às expressões, aos detalhes. Dividir um desenho com uma conversa também tira a concentração do traço, embora com companhia ligue muito menos a linhas direitas.
Depois de não ter desenhado nada onde pensava desenhar, à noite, acabei por descobrir umas aguarelas Sakura anciãs com algum pigmento seco nos tubos, com água recuperei o pigmento e fiquei ali entre música e linhas simples a gastar o que restava do Azul Cobalto.


terça-feira, 27 de junho de 2017

Vista

Quando morei em Lisboa tinha uma vista a 180º sobre o rio e a ponte, com o manto de luzes das margens, com cruzeiros e aviões que por ali entravam, uma vista que abraçava o quarto e os jantares românticos... Na altura desenhava muito pouco e fotografava bastante. Agora não a posso desenhar, mas tenho um céu e duas buganvílias gigantes que espreitam pelo quarto e de vez em quando surpreendem...


Sinto que desenhos em vez de fotografias tinham deixado registos muito mais interessantes.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Livros

Mudança de Planos...
...às vezes existem coincidências, outras vezes adivinhos mindinhos... como se todos os caminhos estivessem traçados... voltei aos vermelhos e azuis... os chapéus fechados ficaram como pista de vendaval...
O dia estava mesmo cheio de gente e de vento, existiam bolhas de eventos a acontecer... mas ao fundo, depois da ultima rua, nos confins do universo, tudo brilha da mesma forma... o segredo é olhar de cá para lá e não de lá para cá.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Manchas dançando

Ainda sob efeito de medicação, uma delas, o workshop da Teresa Ruivo sobre pessoas e manchas.
Quando a cozinha se torna sala, pouco mais se altera do que a luz que emana da televisão...
...e no momento eram danças...


sábado, 27 de maio de 2017

Porto é um rapaz descalço


Cada cidade é o corpo de alguém, cada bairro se encosta aos seus vizinhos, namora a paisagem por onde se debruça, respira um espírito local, uma melodia diferente pela manhã, abraça conversas diferentes ao fim do dia... Cada casa faz parte, reflexo de quem a usa, a habita e convive...

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Literatura e Viajantes VIII

Segunda... A rua direita estava enfeitada, perfumada, cheia de verdura no chão, havia rosas à porta das igrejas e namorados como enxames de abelhas à procura de mel, mesmo a precisar de um desenho, claro que não... Era altura de dar atenção à rua traseira, em sombra, abandonada, vazia.
Um exercício de rua descobriu-me, queria colocar a rua inteira no bloco, era praticamente um devaneio de forma fotográfica mas o desenho permite impossíveis.
Começei por desenhar nos extremos do caderno, os enfiamentos opostos da rua e aos poucos juntei-os com distorção, decerto irei repetir...
...
Monday... The main street was decorated, perfumed, full of greenery on the floor, there were roses at the door of the churches and couples like swarms of bees looking for honey, a street in need of a drawing, of course not ... It was time to pay attention to the back street, in the shadow, abandoned, empty.
A street exercise discovered me, wanted to put the whole street in the block, was practically a photographic crazyness but the drawing allows impossible things.
I began by drawing at the ends of the notebook, the opposing sides of the street and gradually joined them with distortion, surely I will repeat ...


quarta-feira, 3 de maio de 2017

Literatura e Viajantes VII

Segunda... Depois de ver alguns sketchers bastante longe, atalhei por entre os telhados e voltei a encontrar a Lurdes Morais, estava junto à Igreja da Misericórdia a pintar, tinha ar de estar a batalhar contra o calor.
Já tinha feito postais deste enquadramento e a Igreja passou o fim de semana a desafiar, não era dia de detalhes mas tinha que ser.
Começei a perceber a montanha que tinha pela frente, o detalhe crescia exponencialmente, e o mais difícil era desistir depois de começar. ...fui ficando até ao fim, enquanto os turistas passavam para quebrar o silêncio.
...
Monday ... After seeing some sketchers far away, I went through the roofs and found Lurdes Morais again, she was at the Misericordia Church painting and fighting the heat.
I had already done postcards of this framework and the Church spent the weekend challenging it, it wasn't a details day but it had to be done.
I began to notice the mountain that lay ahead, the detail grew exponentially, and the hardest part was to give up after it started. ... I stayed until the end as the tourists passing by were breaking the silence.


Literatura e Viajantes VI

Segunda... Acabei por acompanhar a Sofia Gomes de volta a Óbidos, entrei por uma porta e sai por um postigo, andava à procura dos caminhos onde ninguém passa, queria desenhar o topo da muralha vista do exterior...
Andei por trilhos repletos de vegetação, ao inicio não se viam as muralhas mas ouviam-se, crianças e turistas aos berros ("- Parem lá com essa merda!").
Como o espírito não queria detalhes, fiz uma panorâmica rápida, entornei-lhe pigmentos em cima e segui o trilho até o relógio interno me chamar para almoçar.
...
Monday ... I ended up following Sofia Gomes back to Óbidos, I went through a door and went out through a wicket, I was looking for the paths where nobody passes and draw the top of the wall from the outside ...
I walked along trails full of vegetation, at first the walls were not seen but heard, children and tourists screaming ("Stop it with that shit!").
As the spirit did not want details, I made a quick sketch, sprinkled pigments on it and followed the trail until the internal clock called me to lunch.


terça-feira, 2 de maio de 2017

Literatura e Viajantes V

Domingo... Depois de uma boa conversa com aguarela fora de controlo, resolvi desenhar o arco sobre a rua visto do topo da travessa. Um enquadramento com histórias, onde os fantasmas e as memórias vão falar entre garrafas e copos.
...
Sunday ... After a good conversation with watercolor out of control, I decided to draw the arc over the street seen from the top. A story frame, where the ghosts and memories talk and taste a delicious drink.


Literatura e Viajantes IV

Domingo... Depois de algumas corridas a fugir de chuva incerta, eu e a Lurdes Morais acabamos por nos abrigar na Casa da Cadeia, um Bar "Medieval" no grande arco sobre a rua, visível das costas da Igreja de Santa Maria.
Os detalhes interiores eram aliciantes mas a decisão foi arrebatada pelas almofadas dos cadeirões exteriores.
Ficamos ali com café e chocolate quente a pintar, iniciei um caderno que tinha feito e perdi-me demasiado com a aguarela...
...
Sunday ... After a few escapes from some rain, me and Lurdes Morais got some shelter in "Casa da Cadeia", a "Medieval" Bar under a large arch over the street.
The interior details were appealing but the decision was taken by the cushions of the outer armchairs.
We got a coffee and hot chocolate, I started a new selfmade book and got lost in watercolors ...


segunda-feira, 1 de maio de 2017

Literatura e Viajantes III

Domingo... O dia estava traiçoeiro, uma mistura de sol, nuvens, chuva e vento. Queria desenhar Óbidos ao longe, fui de comboio e andei na mata tentando um desenho de viagem, já com algum atraso para o encontro de sketchers e com chuviscos, desisti varias vezes de desenhos salpicados e encharcados... Acabei por ceder e abriguei-me dentro da vila para mais uma panorâmica desafiante...
...
Sunday ... The day was treacherous, a mixture of sun, clouds, rain and wind. I wanted to draw Óbidos in the distance, I went by train and walked in the woods trying to draw a trip, already with some delay for the meeting of sketchers and with drizzles, I gave up several times with splattered and soaked drawings ... I ended up giving in and took shelter within the village for another challenging panoramic ...


sábado, 22 de abril de 2017

Castro do Zambujal

A iniciativa partiu do museu Leonel Trindade, assinalar o dia internacional dos monumentos e sítios, sob orientação do arq. André Baptista e introdução de Sofia Máximo, ao quais agradeço. Estivemos hoje num dos monumentos nacionais mais importantes e enigmáticos da zona oeste, datado do inicio da idade do bronze, terceiro milénio a.c.
O dia esteve fabuloso e até as dezenas de pequenos insectos que saltavam para o bloco pareciam fervilhar de curiosidade. O espaço oculta ainda imensos segredos e o terreno além de ser atravessado por várias rotas de caminhadas possui paisagens lindíssimas e locais fabulosos para piqueniques, descansar ou explorar.
Num primeiro desenho, com alguma calma, ataquei a parte mais visível da anciã fortificação, num segundo momento, onde o tempo se perdia na conversa fui desenhando com menos rigor o amontoado de pedras perdido na vegetação.
...
The initiative was from the Leonel Trindade Museum, mark the international day of monuments and sites, under the guidance of arch. André Baptista and introduction by Sofia Máximo, whom I thank. Today we were in one of the most important and enigmatic national monuments of the west, in the area of Lisbon, dating from the beginning of the Bronze Age, third millennium a.c.
The day was fabulous, and even the dozens of small insects jumping to the block seemed to be bubbling with curiosity. The area still hides vast secrets and the terrain, as well as being crossed by several hiking routes, has beautiful landscapes and fabulous locations for picnics, resting or exploring.
In a first sketch, with some calmness, I attacked the most visible part of the old fortification; in a second moment, where time was lost in the conversation, I was drawing less rigorously the heap of stones lost in the vegetation.



 












sexta-feira, 21 de abril de 2017

Síntese

A realidade é complexa, cheia de detalhes, formas e cores, significados, ideias, memórias, ilusões... Apesar de gostar de me perder em texturas e detalhes, por vezes não há tempo, nem paciência, é preciso sintetizar. Em vez de me deliciar com a melodia da vegetação, as notas musicais da textura da pedra ou terra, o sabor da cor e as suas conjugações em atmosferas, é essencial encontrar o mínimo que defina a paisagem, saber onde parar...
Algo a repetir, até um desenho de uma hora se traduzir em dez minutos.

Breve passagem pelo Forte de São Vicente, Torres Vedras

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Jardim das Amoreiras

Sabe sempre bem deliciar os sentidos e dar de beber à saudade.
Voltar a Lisboa e deambular por ruas esquecidas tem sempre algo de apetitoso, ao descobrir detalhes e elementos novos, recordar momentos e desfrutar de lugares que se tornaram eternos.
Desenhar enquanto se espera é o melhor que se pode fazer quando o ambiente nos envolve.