segunda-feira, 24 de julho de 2017

ENcosta Rosa

Há alguns anos atrás, nunca me passaria pela cabeça desenhar na encosta de São Vicente a vermelho com tons rosados, mas as experiências levaram-me a pegar de novo na tinta vermelha.
Conheço estas encosta quase como a palma da mão, via do destino voltei passar por estas ruas em trabalho depois de há muitos anos atrás a percorrer regularmente para visitar os meus avós.
O objectivo deste encontro era registar espaços que mais tarde irão ser alvo de requalificação.


Não optei pelos elementos mais óbvios mas por percursos que me dizem algo de outros tempos.


No fim, o cansaço já apertava, durante a semana acabei por ficar engripado e o vento que se fez sentir não ajudou, mas fui ficando e resistindo até ao ultimo dia, a companhia foi ficando cada vez melhor e existem oportunidades que não se podem passar.
As casas vazias também tem histórias, esta não era dos meus principais objectivos, mas estava cheia de pistas interessantes de outros tempos.

ENcosta com António e Susana

Quando consegui ir ter com o António Procópio, ele já estava a devorar escadas... o seu primeiro desenho estava muito bom, mas ao procurar dar sombras, ficou mastigado. Depois de alguma conversa andou às voltas com o grafismo e decidiu fazer outro... mais simples, onde se percebia melhor a distorção e a geometria da escada.Segundo ele tem de ser algo imediato, o primeiro desenho sai-lhe sempre melhor, comigo é contrário, preciso sempre de algum tempo para encontrar o ritmo do processo de desenhar, principalmente depois de uma caminhada com escadas...A Susana veio juntar-se a nós mais tarde, estava a desenhar a senhora da casa no topo das escadas.


A meio da semana encontrei o António a desenhar junto à rua marginal da encosta, cheia de movimento. Pensava eu que já havia algum cansaço mas não, a Susana apareceu e foram os dois explorar a Cruz das Almas enquanto o meu desenho lento me levou a ficar ali mais um pouco de pé, quase na estrada, a desenhar. Quando me juntei ao António, ele já tinha um desenho novo, ainda fomos descobrir pérolas no meio do mato mas a hora de jantar não deu para mais desenhos.

Antes do encontro de sábado ainda me juntei a alguns reforços ansiosos por desenhar a encosta, consegui voltar a ver os sketchers residentes e assegurar o apoio moral.
O António ficou ao pé da taberna e depois infiltrou-se no quintal de um vizinho habilidoso, a Susana estava com a Ana Ramos a cozinhar uma vista da rua, fiquei ali com elas e mais tarde juntou-se a Lurdes, ainda apareceu um gato preto cheio de teias de aranha na testa para ver o que andávamos a fazer mas ninguém o conseguiu desenhar.

À noite ainda tivemos algumas visitas fantásticas, a sabedoria do Pedro Alves e a hiper boa disposição da Rita Catita, a Maria Inês também se juntou, mas da noite, entre histórias, sobraram mais boas memórias do que desenhos. Uma semana fabulosa ;)
Não me canso de agradecer, além das entidades envolvidas, ao André Baptista por toda a dedicação e aos dois grandes sketchers residentes que acabaram por marcar a vida das pessoas da Encosta de São Vicente.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Vimeiro

O regimento dos Oeste Sketchers juntou-se e foi fabuloso, registou o que conseguiu da recriação histórica da Batalha do Vimeiro de 1808, fizeram registos debaixo de fogo cruzado e com grande "instinto de sobrevivência". 
Nesta batalha não fui fardado mas andei a espiar as tropas do inimigo, o primeiro desenho não começou bem mas acabou por mostrar os sketchers e a população à espera do evento com linhas, depois em manchas, as tropas, portugueses de castanho e camponeses de cinza escuro, ingleses de vermelho e franceses de azul.


À tarde havia animação na feira oitocentista e a variedade de mercadores era impressionante. Enquanto alguns ficaram a desenhar pessoas e fardas, ou a degustar a bela filhós, eu resolvi procurar uma zona calma e mais despercebida com vista para a paisagem do campo de batalha, onde o acampamento militar se mostrava deserto.
Acabei o bloco com um desenho panorâmico, vai deixar saudades, o resto foi convívio ;)




sábado, 15 de julho de 2017

Santa Cruz sem vento

Santa Cruz é daquelas localidades com praias e recantos cheios de paraísos, mas tem carácter, é agreste, de mar e vento encorpado, com nevoeiros e marés bipolares. No entanto, quando a encontramos em alturas de tempo excelente, sem vento, torna-se uma mulher meiga apaixonada, um paraíso.
Praia da Amoeira, uma das minhas favoritas, menos gente, mais maravilhas...

 Praia de Santa Helena e Praia Centro ao fundo (ou das Rochinhas)
Quando vamos embora mas está tão bom que acabamos por acampar outra vez... na praia seguinte...

O fim do dia é óptimo para desenhar sombras, um exercício mesmo interessante. 

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Com ou Sem

Às vezes levo o bloco a passear, com uma sombra de objectivo que inclui desenhar.
Se me parece obrigação e tenho companhia que não desenha, acabo por esquecer o bloco, mesmo que as paisagens sejam cativantes. Por vezes prefiro dar toda a minha atenção ao diálogo, aos gestos, às expressões, aos detalhes. Dividir um desenho com uma conversa também tira a concentração do traço, embora com companhia ligue muito menos a linhas direitas.
Depois de não ter desenhado nada onde pensava desenhar, à noite, acabei por descobrir umas aguarelas Sakura anciãs com algum pigmento seco nos tubos, com água recuperei o pigmento e fiquei ali entre música e linhas simples a gastar o que restava do Azul Cobalto.


terça-feira, 4 de julho de 2017

Forte São Vicente III

É impossível fazer tudo, fazer figuração no filme do museu, fotografar, desenhar e operar dois telégrafos. Para a próxima talvez consiga mudar de personagem e ter mais liberdade fazendo de pintor ou retratista da época, com chapéu de palha e instrumentos adequados.
No entanto, e apesar do vendaval, salvaram-se alguns registos rápidos do dia da Inauguração do Centro Interpretativo do Forte São Vicente.




segunda-feira, 3 de julho de 2017

Forte São Vicente II

O Telégrafo Óptico Inglês, sistema de bolas ou balões, foi um sistema de comunicações usado nas Linhas de Torres Vedras, permitia o envio de mensagens em código e era operado por oficiais e marinheiros britânicos com o apoio de militares portugueses e milícias. 
Ao longo do sistema defensivo composto por fortes e redutos com três linhas defensivas de aproximação a Lisboa, era possível de uma posição central enviar uma mensagem em quatro minutos até à extremidade da linha defensiva e segundo alguns em sete minutos desde a primeira linha até Lisboa.
Aqui ficam algumas tentativas de registo das movimentações e preparativos para a encenação e explicação de como os telégrafos ópticos de há duzentos anos funcionavam.





Telégrafo de Ponteiro, inventado por Francisco António Ciera, um sistema de comunicação de médio alcance, mais barato e simples de montar e operar.

 Neste dia, ainda consegui fazer uma aguarela com linha vermelha à hora de almoço e outra ao fim do dia, relativamente rápidas com alguns percalços entre demasiado sol, vento, nuvens e até chuva...



domingo, 2 de julho de 2017

Praia

Depois de alguns dias atribulados e um Sábado cheio de actividade,  a manhã de Domingo foi de descompressão, reflexão e um pouco de desenho...


Forte de São Vicente I

No inicio das preparações para a inauguração do Centro Interpretativo do Forte São Vicente, em vez de tirar apenas fotografias decidi fazer alguma reportagem gráfica, em parte difícil porque é impossível carregar, montar e organizar coisas e ao mesmo tempo desenhar... Também não é um tipo de desenho onde tenha experiência, é difícil fazer desenhos rápidos ou figuras em movimento. Mas o pequeno bloco de bolso e alguns marcadores velhos, servem para isso...